As 10 principais tendências do varejo em 2022

Publicado 24/01/2022

Durante quase dois anos de pandemia, as mudanças que transformaram o mundo também trouxeram novas tendências do varejo. Diversas tecnologias surgiram nos processos de transformação digital das empresas e de mudanças do comportamento dos consumidores.

O varejo, que já vinha no caminho da digitalização há alguns anos, tornou-se ainda mais conectado e integrado. Essa foi a principal mudança entre as tendências do varejo. Sem mais fronteiras entre online e offline, a jornada de compra pode passar hoje pelos mais diversos canais. Nesse sentido, uma atuação mais omnichannel e data driven é primordial no presente e no futuro do varejo.

É isso que mostram as tendências do varejo projetadas para 2022 pela Accenture e pela Wunderman Thompson. Neste artigo, vamos analisar os principais pontos que essas consultorias apresentam sobre as tendências do varejo e como eles já estão se revelando nas estratégias dos varejistas. Acompanhe!

1. All-in commerce: todos estão convidados

A primeira questão entre as tendências do varejo que a Accenture apresenta é o All-in Commerce. Não se trata de uma nova tecnologia ou metodologia — é uma mudança de perspectiva sobre o comércio eletrônico, que se torna cada vez mais acessível para compradores e vendedores.

A internet está chegando para mais e mais pessoas. Os últimos dados do IBGE, de 2018, mostram que 82.7% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet (embora a qualidade ainda deixe a desejar em muitos cantos do Brasil). Por isso esse é o destaque dentre as tendências do varejo, já que o digital tem chegado para ficar!

Com isso, os compradores online estão se multiplicando, especialmente após a pandemia. A partir dela houve um estimulo no hábito de comprar pela internet. Só em 2020, o comércio eletrônico atraiu 13 milhões de novos clientes, segundo dados da Ebit/Nielsen (G1).

Além disso, as ferramentas de e-commerce estão mais amigáveis e financeiramente mais acessíveis para pequenos lojistas e microempreendedores. Sem dificuldades, em apenas alguns cliques, eles já podem colocar seus produtos à venda na internet.

Assim, o varejo passa a ser mais inclusivo, aberto a qualquer pessoa que queira comprar ou vender. Com isso, você consegue colocar em prática as tendências do varejo a seguir.

2. Social commerce: experiências de compras sociais

tendências do varejo

O social commerce é outra peça importante dentre as tendências do varejo. No Brasil, segundo dados da Social Miner e Opinion Box, 74% das pessoas afirmam que já costumam usar as redes sociais para fazer compras.

As plataformas de redes sociais são espaços para conversar com amigos, expor suas opiniões e mostrar um pouco da sua vida. Mas se é um ambiente de sociabilidade, há espaço também para o consumo, que faz parte das nossas vidas em sociedade.

As redes sociais sabem disso e incentivam as relações entre marcas e consumidores. Hoje as marcas têm inúmeras ferramentas para engajar os consumidores e efetivamente vender nas redes sociais. Conteúdos de entretenimento e inspiração para compras, parcerias com influenciadores e vitrines de produtos com disponibilidade e preços — como a loja virtual no Instagram — impulsionam o social commerce.

Além disso, plataformas como Instagram, Facebook e Pinterest já têm ferramentas dedicadas para vendas nativas, ou seja, sem precisar sair do app para finalizar o pagamento. Porém, elas ainda não estão disponíveis globalmente, mas já é uma das tendências do varejo que chegará ao Brasil em 2022.

3. Mudança de papel das lojas físicas

No contexto de transformações do varejo, as lojas físicas estão sendo repensadas. Afinal, qual papel elas exercem nas estratégias das marcas? Diferentemente do que muitos tentaram prever, as lojas de rua e de shopping não desapareceram, mas muitas estão mudando. E essa é uma das tendências do varejo mais visíveis.

Lojas físicas ainda podem ser um canal de vendas, como sempre foram. Mas, para muitas empresas, elas já são apenas um apoio para as lojas virtuais. Elas podem ser, por exemplo, pontos de retirada de pedidos, showroom de produtos ou ambientes de experiência de marca.

Assim, o layout das lojas está se adaptando à nova jornada do consumidor. A Wunderman Thompson aponta a mudança das lojas de departamentos, por exemplo. No Reino Unido, a loja de departamento Bobby’s reabriu na cidade de Bournemouth abrigando salão de beleza, galeria de arte, sushi bar e até uma praça de alimentação para pets — muito além de araras de roupas e prateleiras de utensílios domésticos.

Outro exemplo das tendências do varejo vem das big techs. A Amazon, por exemplo, pretende abrir lojas físicas de departamento, depois de abrir sua primeira mercearia sem caixas em 2020 e comprar a Whole Foods em 2017. O Google, por sua vez, abriu sua primeira loja física em 2021, em Nova Iorque, como um showroom de produtos da marca.

4. Ética e responsabilidade socioambiental

Muitos consumidores entendem hoje que as marcas não podem ser alheias aos problemas sociais no seu entorno e aos impactos que provocam no planeta. Com os problemas que a pandemia trouxe (ou apenas escancarou), essa consciência se fortaleceu. Assim, as tendências do varejo se voltaram para a ecologia também.

Por isso, varejistas precisam se conscientizar sobre o seu papel no mundo e na sua comunidade. Segundo o relatório da Accenture, até 88% dos consumidores dos Estados Unidos e do Reino Unido são mais receptivos a uma marca se conhecerem seus valores. É isso que os consumidores atuais esperam das empresas: que tenham valores e sejam coerentes com eles.

Isso é ainda mais forte na Geração Alpha. Pessoas nascidas entre 2010 e 2025 já estão moldando o mercado com as novas tendências do varejo, a partir do questionamento às categorias tradicionais de gênero, inclusão de pessoas com deficiência e o compromisso com a sustentabilidade. Assim, a Geração Alpha consolida a ética do varejo da qual a Geração Z foi pioneira.

5. Cadeias de suprimentos regionais e locais

tendências do varejo

A pandemia de Coronavírus também trouxe mudanças para a logística do varejo. A Covid-19 gerou novas demandas de produtos, acirrou a competição entre mercados de diferentes países, aumentou preços de mercadorias e interrompeu redes globais de cadeia de suprimentos.

Nesse contexto, fábricas e lojistas tiveram que recorrer a novos fornecedores, em uma tendência de regionalização para reduzir a vulnerabilidade ao mercado internacional.

De acordo com o relatório da Accenture, dois terços dos transportadores acreditam que as cadeias de suprimentos se tornaram muito globais e devem mudar para ecossistemas mais regionais e locais. Além disso, 65% dos varejistas dos Estados Unidos estão estabelecendo ou expandindo a fabricação doméstica para ter maior controle e certeza.

6. Modelos de experiência das big techs

Big techs como Amazon, Facebook e Google têm o poder de ditar tendências do varejo. Por isso, é importante entender para onde estão indo os investimentos dessas empresas.

Em 2020, o Facebook e o Instagram lançaram as compras ao vivo. Enquanto isso, o Google adicionou novos recursos de pesquisa visual focados em compras de roupas. A Amazon, por sua vez, segue aprimorando a experiência do cliente em sua plataforma, ao mesmo tempo em que investe em lojas de varejo físico integradas à experiência digital.

Mas, embora o modelo de experiência das big techs seja referência, poucos varejistas têm esse poder de investimento. O relatório da Accenture informa que quase três quartos (73%) das marcas dos Estados Unidos não têm a capacidade de oferecer uma visão holística e multi-jornada de compra.

Ainda assim, a automação, a inteligência artificial, a tomada de decisões orientada por dados e a cultura de teste e aprendizado, que estão na base do sucesso das big techs, estão também na mira dos varejistas, sendo uma das mais impactantes tendências do varejo.

7. Colaboradores omnichannel

O omnichannel já é apontado como destaque nas tendências do varejo há alguns anos. A integração entre os canais de vendas já é uma realidade para muitas lojas, embora outras ainda estejam engatinhando nessa estratégia.

O que é apontado como destaque agora pelo relatório da Accenture é o papel dos colaboradores e vendedores no omnichannel. Nesse contexto, eles preenchem a lacuna entre online e offline, fornecendo conhecimento aos clientes, entregando uma experiência diferenciada e atendendo aos pedidos com eficiência.

Afinal, não basta adotar ferramentas para integrar os canais. É necessário também alinhar a nova cultura com os colaboradores. Segundo o relatório, mais de 50% das empresas estadunidenses planejam atualizar seus programas de treinamento nos próximos dois anos, com ênfase em soft skills e cultura.

8. Comércio por chat (c-commerce)

No contexto da pandemia de Coronavírus, inúmeros pequenos lojistas tiveram que migrar de repente para as vendas online. A solução, para muitos, foi o atendimento aos clientes pelo WhatsApp, em uma comunicação direta e instantânea. Esse período conturbado e complexo tensionou as tendências do varejo, como já falamos anteriormente.

Segundo a Wunderman Thompson, as plataformas de mensagens estão se tornando o próximo campo de batalha para as marcas. Por isso, o comércio por chat (chat commerce ou c-commerce) aparece também como uma tendência do varejo em 2022.

O relatório mostra que, na China, os consumidores gastam uma média anual de RMB 170.000 (US$ 26.550) via WeChat. A marca de cosméticos chinesa Perfect Diary, por exemplo, convida os clientes a se juntarem à conta no WeChat do influenciador virtual Xiao Wanzi, que oferece prévias de lançamentos da marca e desempenha o papel de um assistente de compras pessoal.

Nessas plataformas, as marcas se conectam com grupos menores e fechados de consumidores, mas constroem relacionamentos mais íntimos e personalizados. Elas permitem não apenas divulgar ofertas e produtos, mas também se inspirar com as conversas em grupo.

9. Flagships virtuais

O metaverso é a nova fronteira para as tendências do varejo. As interações com avatares no varejo ainda estão em uma fase de experimentação, mas já estão gerando um novo conceito: o varejo DTA (direct-to-avatar).

Em janeiro de 2022, a Samsung abriu uma réplica virtual da sua loja de Nova Iorque na Decentraland, uma plataforma de mundo virtual 3D. Em julho de 2021, a Fendi abriu uma loja digital de 360 graus com base em sua loja da 57th Street em Nova Iorque, oferecendo passeios virtuais e acesso às suas últimas coleções.

Esses são só alguns exemplos de marcas que estão criando flagships virtuais para se inserir no metaverso. Elas podem trazer experiências de marca, mas também a venda de produtos digitais e NFTs (non-fungible tokens). Assim, as flagships podem se tornar a nova vitrine das lojas para atrair consumidores e aprimorar a sua experiência digital.

10. Gêmeos digitais de sistemas reais

Lojas de varejo e fábricas estão sendo clonadas para o mundo virtual. Essa nova tendência também faz parte do contexto do metaverso, em que temos uma fusão dos mundos virtual e físico.

A intenção das empresas é avaliar a eficiência dos processos físicos e resolver problemas logísticos do mundo real. Segundo a Wunderman Thompson, as empresas Nvidia e BMW estão criando um “gêmeo digital” da fábrica da montadora em Regensburg, Alemanha. Essa experiência digital permite que as equipes planejem e executem virtualmente uma nova logística de fluxo de trabalho antes de implementar essas mudanças nas instalações físicas da BMW.

Os “gêmeos digitais” também permitem criar um showroom digital das lojas físicas. Dessa maneira, os consumidores podem ter uma experiência de marca e conhecer produtos e novas coleções, sem precisar se deslocar até o ponto físico. Assim as tendências do varejo também olham para a segurança.

Portanto, o futuro do varejo envolve tecnologia, ética, dados, realidades virtuais e muitas outras transformações. O que não muda nos próximos anos é o foco no consumidor central em todas as estratégias, sejam elas nas lojas físicas, virtuais ou no metaverso. 

Agora que você já está por dentro das tendências de 2022, que tal conferir outras novidades? Se gostou do assunto e quer saber mais sobre, continue a leitura no nosso blog e confira!

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